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O grupo Mulheres 4 Estações,nasceu do encontro de ideias de 3 mulheres, ao perceberem em si o quanto é prazeroso e enriquecedor a troca de vivencias, já que tantas vezes nos reconhecemos no pensamento e sentimento alheio. Então veio o desejo de compartilhar essa experiencia com outras mulheres..... e assim como a natureza se reveste das estações para se revelar aos nossos olhos,nós nos revestimos do falar e ouvir, para nos revelar a nós mesmas.........

domingo, 19 de março de 2017

UMA GARÇA NOS MEUS OLHOS

Ficamos num balé, dois passos meus de puro silêncio e um passo dela de graciosidade aérea. Numa proximidade de encantos os meus olhos fotografavam seus movimentos, sua plumagem, sua delicadeza trilhada numa liberdade partilhada comigo.

O solo, o arrecifes, com ondas finas e delicadas a nos tocar...

A música do mar nos isolava numa sintonia misteriosa e sagrada, que me dava à certeza, que estes momentos mágicos imprimem a poesia por dentro, a consagrar o milagre do encontro.

Foi quando disse mentalmente para ela, que não iria abusar deste tempo mágico concedido; pedi-lhe para quando voasse, me levasse junto. Ela entendeu o meu pedido, compreendendo os limites de quem não tem asas.

Distante, olhei para trás: encontro de olhares, e, ela voou e eu fechei os olhos. O meu pedido foi realizado.

Caminhei com uma garça nos meus olhos no decorrer dos dias...
(Suzete Brainer)


Quando li o poema da Suzete, do blog " o piano que toca poesia" além de me identificar com a leitura, lembrei de uma foto que recebi da minha amiga, Andrea. O poema me fez voar, trouxe lembranças de uma amizade muito querida e verdadeira, por isso quis juntar os dois aqui, palavras e imagem.


          (foto de Andrea Giovanna)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O QUE A MEMÓRIA AMA, FICA ETERNO

Quando eu era pequena, não entendia o choro solto de minha mãe ao assistir a um filme, ouvir uma música ou ler um livro.
O que eu não sabia é que minha mãe não chorava pelas coisas visíveis. Ela chorava pela eternidade que vivia dentro dela e que eu, na minha meninice, era incapaz de compreender.
O tempo passou e hoje me emociono diante das mesmas coisas, tocada por pequenos milagres do cotidiano.
É que a memória é contrária ao tempo. Nós temos pressa, mas é preciso aprender que a memória obedece ao próprio compasso e traz de volta o que realmente importou, eternizando momentos.
Crianças têm o tempo a seu favor e a memória muito recente. Para elas, um filme é só uma animação; uma música, só uma melodia. Ignoram o quanto a infância é impregnada de eternidade.
Diante do tempo envelhecemos, nossos filhos crescem, muita gente se despede. Porém, para a memória ainda somos jovens, atletas, amantes insaciáveis. Nossos filhos são nossas crianças, os amigos estão perto, nossos pais ainda são nossos heróis.
A frase do título é de Adélia Prado: “O que a memória ama, fica eterno”. Quanto mais vivemos, mais eternidades criamos dentro da gente.
Quando nos damos conta, nossos baús secretos_  porque a memória é dada a segredos _ estão recheados daquilo que amamos, do que deixou saudade, do que doeu além da conta, do que permaneceu além do tempo.
Um dia você liga o rádio do carro e toca uma música qualquer, ninguém nota, mas aquela música já fez parte de você _  foi a trilha sonora de um amor, embalou os sonhos de uma época ou selou uma amizade verdadeira  _ e mesmo que os anos tenham se passado, alguma parte de você se perde no tempo e lembra alguém, um momento ou uma história.
Ao reencontrar amigos da juventude nos esquecemos que somos adultos e voltamos a nos comportar como meninos cheios de inocência, amor e coragem.
Do mesmo modo, perto de nossos pais seremos sempre “as crianças”, não importa se já temos 30, 40 ou 50 anos. Para eles a lembrança da casa cheia, das brigas entre irmãos, das histórias contadas ao cair da noite… serão sempre recentes, pois têm vocação de eternidade.
Por isso é tão difícil despedir-se de um amor ou alguém especial que por algum motivo deixou de fazer parte de nossas vidas.
Dizem que o tempo cura tudo, mas talvez ele só tire a dor do centro das atenções. Ele acalma os sentidos, apara as arestas, coloca um band-aid na ferida. Mas aquilo que amamos tem disposição para emergir das profundezas, romper os cadeados e assombrar de vez em quando.
Somos a soma de nossos afetos, e aquilo que nos tocou pode ser facilmente reativado por novos gatilhos _ uma canção cala nossos sentidos; um cheiro nos paralisa lembrando alguém; um sabor nos remete à infância.
Assim também permanecemos memórias vivas na vida de nossos filhos, cônjuges, ex amores, amigos, irmãos. E mesmo que o tempo nos leve daqui, seremos eternamente lembrados por aqueles que um dia nos amaram.                       (Fabíola Simões)
    
                        (imagem google)


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

HUMILDADE

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.
Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.
Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”
(Cora Coralina)
                                (imagem: arquivo pessoal)


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Essa pergunta às vezes me inquieta...

"Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda eternidade?"
(Friedrich Nietzsche)


sábado, 7 de janeiro de 2017

PALAVRAS

Por duas vezes sentei para escrever a primeira postagem do ano, várias ideias e ainda assim não conseguia formar frase alguma.
Uma ausência de palavras.
Algumas passearam por minha mente - solitárias - dispersas entre lembranças e sentimentos.
Constato mais uma vez que faço um plano e a vida traça outro, leva o que imaginei e traz o que de fato preciso, mesmo que eu não perceba isso de imediato. 
Sentia na alma uma certa inquietude, como quando se sente no ar uma sutil diferença antes da tempestade cair.
Eu sabia, alguma mudança estava a caminho.
Quando chegou não alterou minha rotina, mas se fez um silêncio aqui dentro do peito.
Veio a necessidade de um tempo para entender alguns vazios, despir o cansaço interno, compreender as escolhas alheias.
E agora, enquanto rabisco uma folha de caderno envolta em reflexões, ouço um murmurinho, são as palavras que acordam.
Ainda sonolentas escorregam e descansam sobre o papel.

(Sônia A.)


                                          (imagem google)

domingo, 4 de dezembro de 2016

ÚLTIMA PÁGINA

Mais uma vez o tempo me assusta. 
Passa afobado pelo meu dia, 
Atropela minha hora, 
Despreza minha agenda. 
Corre prepotente, 
A disputar lugar com a ventania. 
O tempo envelhece, não se emenda. 
Deveria haver algum decreto 
Que obrigasse o tempo a desacelerar 
E a respeitar meu projeto. 
Só assim, eu daria conta 
Dos livros que vão se empilhando, 
Das melodias que estão me aguardando, 
Das saudades que venho sentindo, 
Das verdades que ando mentindo, 
Das promessas que venho esquecendo, 
Dos impulsos que sigo contendo, 
Dos prazeres que chegam partindo, 
Dos receios que partem voltando. 
Agora, que redijo a página final, 
Percebo o tanto de caminho percorrido 
Ao impulso da hora que vai me acelerando. 
Apesar do tempo, e sua pressa desleal, 
Agradeço a Deus por ter vivido, 
Amanhecer e continuar teimando..


(Flora Figueiredo)


                                              (imagem google)

O blog entra em pausa para tomar um fôlego.
A todos que passam por aqui, desejo boas festas e um lindo inicio de 2017.
Que tenhamos paz, leveza e amor no coração e possamos enfeitar sempre nossa alma com poesia, a fim de tornar  mais doce, o olhar.
Abraços aos amigos.

domingo, 27 de novembro de 2016

ÚLTIMO ENCONTRO

Nosso último encontro foi muito agradável.
Primeiro cada uma escreveu uma carta a si mesma, as quais guardei com muito cuidado, para ser entregue e usada por elas no próximo ano, em nova atividade.
Depois fizemos o sorteio da amiga secreta, o que foi bem divertido, já que nas três primeiras tentativas, sempre uma de nós tirava seu próprio nome.
Após a entrega dos presentes, pudemos degustar de um delicioso lanche, oferecido carinhosamente por uma das participantes.
Este ano, várias delas -carinhosamente- abriram a porta da sua casa para nos reunirmos, tornando assim, os encontros acolhedores e agradáveis. 
Queridas amigas, obrigada a cada uma de vocês, pela rica oportunidade de trocar experiências ao longo do ano.
(Carol e Sônia)
                                      ( Foto do encontro feita por Tininha)
                                      CANTA E DANÇA MULHER
"Lembra mulher de quando teus pés descalços pisavam na terra molhada, depois da tempestade tão esperada.
Recorda quando teus ouvidos sabiam compreender as mensagens que o vento assoprava para o teu espírito.

Inspira fundo e sente o aroma daquela época onde viveste próxima aos frutos e às flores e tudo acontecia em tempo certo, sem apressamentos.

Compreende que teu corpo e tua alma obedeciam à voz da Grande Mãe, e tua vida fluia plena de sabedoria, pois tu representavas a Deusa, o Sagrado Feminino, e de ti resplandecia toda a generosidade.

Recorda que conhecias bem os mistérios da lua, tua irmã, e te guiavas por instintos e intuições, sonhavas com as respostas e cheia de confiança em teu coração guiava a tua vida e de tantos outros por caminhos seguros.

Tua natureza, sempre disposta a dar vida e dela cuidar, ligada por estreitos laços aos ritmos e ciclos do universo, sabia cantar e dançar, e assim espalhava alegria pelo norte, pelo sul, pelo leste e pelo oeste, sem perder o teu centro.

Rosa dos ventos e dos tempos, hoje estás novamente aqui, mas não te esqueça jamais de continuar a cumprir o teu sagrado papel.
O Universo ainda carece do teu feminino...

Ah! Então canta e dança
E o destino dos homens se cumprirá!"

(Autoria desconhecida)